Entrevista com DJ Tahira!

Estamos empolgadíssimos com a participação do nosso DJ preferido na Festa Junina Berlin 2016! Dj Tahira influencia as pistas de Sao Paulo a mais de 20 anos, viaja pelo mundo divulgando a musica brasileira desde 2006 e tem no seu currículo festas em Tokyo, Paris, Londres, NY, Berlin entre outras. Pra quem ainda não conhece o trabalho desse paulista, recomendamos ouvir o set dele no Boiler Room, pra ter um gostinho do que vocês vão ouvir com a gente neste sábado na pista do YAAM Berlin.

tahira2008_06Nosso amigo e enciclopédia musical Raul Cornejo entrevistou o Tahira pra saber um pouco sobre ele, seu amor pela música, suas tours pelo mundo afora, e sobre o espirito junino que nele mora.

RC: Qual sua comida favorita numa festa junina?

T: Pinhão.

RC: E a bebida?

T: Quentão.. adoro gengibre.

RC: E a gincana?

T: Nunca participei dessa parte. Sempre fui pra comer e sentir frio.

foto por Leandro Godoi (http://migre.me/aXv2u)

foto por Leandro Godoi (http://migre.me/aXv2u)

RC: Normalmente essas festividades são associadas ao forró e ao baião, qual seu top 5 de faixas desses gêneros de todos os tempos? Vc tem muita chance de tocá-los por aí? Os gringos curtem?

T: Eu tenho tocado bastante sons afro brasileiros nos últimos 3 anos. E alguns estilos se encaixam nesse tipo de festividade.

Meu top 5

Camarão – Nao Interessa Nao

Banda de Pifano Cultural de Caruaru – Dois Pifanos no Forro

Cris Aflalo – Pisa no Pilão

Jackson do Pandeiro – No Balanço do Baião

Luiz Paixão – Baião Novo

E sim, tenho tocado bastante esse sons tanto no Brasil quanto na Europa e a resposta sempre é excelente.

AM0830205055-5341RC: Você anda sempre zanzando pela Europa, em turnês que sempre se espraiam por alguns meses. Há quanto tempo esse globetrotting rola e qual foi seu primeiro itinerário, vc lembra?

T: Eu viajo todo ano para o exterior tocando desde 2006. A primeira viagem foi uma festa da Brahma na Ucrânia em Odessa (a Ibiza dos russos). Era uma festa de dia na praia de graça

sobre a cultura brasileira.

RC: Alguns momentos bem marcantes q valham a pena serem rememorados aqui?

T: As festas da Sim Simma crew em Dublin e o coletivo Paradiso de Viena foram festas destruidoras. Toquei duas vezes em ambas. E todas foram incríveis. Pista lotada. Frenética. Dançando do começo ao fim. O coletivo Jazziup da Estonia também fez uma das melhores festas que toquei. E a primeira vez que toquei no Nublu de New York foi bem especial.

RC: Se você pudesse definir o tipo de música que toca ou a lógica por trás da sua seleção

em uma frase, qual seria?

T: Uma vez li uma entrevista com o Francois K. Ele usa o termo storyteller, contador de história. Talvez seja a melhor palavra pra isso, ou de outra forma seria é um discurso eclético musical que reflete em tudo que escuto e que gosto desde criança até hoje.

Tahira 561RC: Seus sets sempre foram pautados por um ecletismo muito bem temperado que hoje em dia (felizmente) se tornou um modelo a ser seguido, mas tem muito set sem pé nem cabeça q acaba brotando por aí. Se fosse para vc dar umas dicas para a juventude que embarca nessa pegada, quais seriam?

T: Estude a história da musica; por qual razão um estilo musical parou de ser tocado e porque outro estilo apareceu em seu lugar. É um dos jeitos de se transitar entre estilos sem quebrar a dinâmica ou a historia sendo contada.

RC: As pessoas já reagiram com surpresa ao ver um nipo-brasileiro carregando tanto groove nacional com essa competência?

T: Na minha primeira apresentação na Ucrânia. Eu era o headliner. Ficava um africano com dreadlocks e calça de capoeira anunciando todo o tempo Dj Tahira from Brazil. Criando aquela expectativa. Deixando todo mundo ansioso. Quando eu apareci na cabine. Todos da pista se entreolharam como dizendo: Cade o brasileiro?? Foi horrível no momento, mas hilário depois. Demorou umas 3 musicas para o povo começar a dançar de novo e sair da surpresa multicultural que um pais como o Brasil oferece. E esse ano em Sarajevo. Tahira é nome de mulher lá. Então ja viu né ? Eles esperaram uma mulher brasileira. Ai entra um japonês. Acho que eles ficaram um pouco perdidos. hahahaha

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